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Todas as coisas merecem seus nomes próprios?

“Sim, esse bosque se parece com todos os outros pois de outro modo não se chamaria bosque, mas teria um nome próprio; ao mesmo tempo, sua realidade é única e mereceria ter de verdade um nome próprio. Todos merecem (merecemos) um nome próprio. Ninguém o terá, ninguém o teve. Esta é nossa verdaderia condenação, a nossa e a do mundo. E nisso consiste o que chamam os cristãos de estado de “natureza caída”. O paraíso está regido por uma gramática ontológica: as coisas e os seres são seus nomes e cada nome é próprio. O bosque não é único posto que tem um nome comum (é natureza caída), mas é único posto que nenhum nome é verdadeiramente seu (é natureza inocente). Esta contradição desafia o cristianismo e estraçalha a sua lógica.”

“El mono gramático”, Octavio Paz, 1978, Ed. Galaxia Gutenberg, p92 (tradução livre do castelhano)

Há algo de muito cristão no que se escreve por aí: por que é que tantos textos se preocupam em definir o significado de alguns termos — em tentativas de precisá-los e limitá-los para talvez recuperar sua natureza caída —, ao invés de simplesmente empregá-los e deixar que sejam empregados?

Um comentário

  1. Luiza ProençaLuiza Proença  
    em 09/02/2010

  2. Faltou dizer que o vídeo é um trecho de um filme muito bom “Qué tan lejos”, da Tania Hermida.

    Certa vez perguntei para um professor: “Por que é necessário a divisão da arte em categorias e suportes hoje? Por que o surgimento de novos termos como o site-specific e a tentativa de defini-los? Por que isso é tão importante para a arte? ” A resposta que tive foi bem direta: “As denominações surgem para indicar novas manifestações, como novas crianças no mundo, que devem ter nome. A construção de um conceito como site-specific deve correr para o passado, uma vez que depois de denominado assim o conceito já está construído”.

    1F
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